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sexta-feira, 3 de junho de 2011

A Árvore da Vida

Vale a pena conferir “A Árvore da Vida” de Terrence Malick, vencedor de Cannes deste ano. Apesar de alguns planos chatos e repetitivos (principalmente no que diz respeito ao uso da câmera no início do filme) a película destaca-se pela bela fotografia, pelas boas atuações e pela singular proposta de compreensão dos ciclos da vida.



segunda-feira, 14 de março de 2011

Biutiful



Dizer que Biutiful (2010) é uma história densa e com cenas fortes e que prima pela atuação de Javier Bardem faria repisar em tantas críticas recebidas pelo filme. A obra de Iñárritu é muito mais que isso. Com núcleos bem amarrados nos transporta à fragilidade das relações sociais, sejam familiares, de amizade ou no trabalho. Iñárritu deixa de lado uma tendência estadunidense e européia em tratar questões como o tráfico de pessoas e a imigração ilegal como apenas um pano de fundo e mergulha neste universo.

sábado, 16 de outubro de 2010

Todd Solondz

O humor intrigante dos filmes do diretor estadunidense Todd Solondz tem como pano de fundo histórias intercruzadas do cotidiano. Toca em assuntos delicados de uma forma peculiar que nem sempre garantem um consenso reflexivo de onde quer chegar.

Seguem abaixo três trailers: Welcome to the Dollhouse (1995); Happiness (1998); e, Life During Wartime (2009). Vale a pena assistir os dois últimos em sequência.





quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Caché

Indicado por um amigo, assisti ontem Caché (2005) de Michael Haneke. O filme tem sequências lentas, mas com uma habilidade que nos faz compreender a razão. Desde o início somos levados a dúvidas sobre o tempo em que as cenas ocorrem, bem como sua veracidade explícita. Por detrás da discussão a cerca da dicotomia: essência e aparência, Haneke nos envolve em questões sobre a vida dos imigrantes em França e as instáveis relações familiares das últimas décadas.



sábado, 7 de agosto de 2010

It´s a Free World

As atuações, nem a direção são brilhantes em It´s a Free World (2007), mas vale a pena pelo roteiro de Paul Laverty. Ken Loach, que possui melhores trabalhos como The Wind That Shakes the Barley (2006), toca em assuntos delicados na Inglaterra, como o paradoxo das leis trabalhistas, democracia, cidadania relacionando-se com imigração e trabalho informal.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Sexo por Compasíon

O pecado pode ser visto por vários prismas. Cada um possui princípios e valores próprios e convenientes. Sexo por compaixão (1999) mergulha em uma linha tênue que distancia a luxúria da bondade. A parceria Espanha/México marca a estréia de Laura Maña na direção e roteiro.



segunda-feira, 19 de julho de 2010

Melinda and Melinda

Em um restaurante nova-iorquino, quatro amigos bebem e conversam, dentre eles dois escritores. Enquanto um volta-se à tragédia na tentativa de representação do cotidiano, o outro encontra nos elementos cômicos mais proximidade e afinidade. A partir daí O filme Melinda e Melinda (2004) desenrola-se. A história das duas Melindas, a trágica e a cômica, desenvolve-se com o humor e a filosofia típicos de Woddy Allen.


quinta-feira, 22 de abril de 2010

La Nana

A película chilena “La Nana” (2009) surpreendeu-me. Não somente pela atuação impecável da protagonista vivida por Catalina Saavedra ou pelo inteligente uso da câmera que sutilmente nos transporta para a casa onde mora e trabalha Raquel, personagem de Catalina. Poucas foram as cenas que “sobraram” neste filme - digo, sobraram, por uma tendência que se vê em muitos filmes em subestimar a capacidade interpretativa e crítica dos expectadores, apresentando de maneira desgastante a personalidade e as relações estabelecidas entre os personagens.

Sebastián Silva não apenas traz à tona as emoções, inquietações, angústias, medos, regozijos de sua protagonita, faz algo que poucas vezes vi no cinema, nos põe a refletir sobre o entrelaçamento das relações sociais e pessoais recaindo sobre o carácter e a personalidade das pessoas. Não propõe caminhos certos ou desviantes, apenas nos envolve numa trama vulgar e inquietante.


terça-feira, 13 de abril de 2010

Sérgio Vieira de Mello

Há poucos meses li a biografia de Sérgio Vieira de Mello, escrita pela jornalista/escritora/académica/funcionária do governo dos EUA, a irlandesa/estadunidense Samantha Power, aliás, com um rigor investigativo invejável em dias em que escrevem-se biografias em duas semanas para suprir a procura de um mercado pós-morte ou corresponder aos apelos midiáticos de “novas personalidades”.

Apesar de brasileiro, fora pouco conhecido no Brasil já que a “grande mídia” (talvez mais adequado o uso do termo “mídia grande”) não o considerava digno de interesse em leitores mais acostumados em ler as fofocas, o que se passa na TV, ou ainda as notícias esportivas. Não que a mídia especializada ou revistas mais conceituadas se debruçassem sobre seu trabalho ou acontecimentos ligados à sua vida. A carência fora generalizada sobre uma das mais importantes autoridades internacionais brasileiras. Admito que talvez, se não tivesse afinidades profissionais que iam ao encontro do trabalho realizado por Sérgio, pouco saberia a seu respeito.

Sérgio fora assassinado no Iraque, em uma missão de paz da ONU que ele mesmo chefiava, em 2003 logo após a conturbada invasão estadunidense. Trabalhou durante cerca de três décadas na ONU e era o Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Atuou em missões de paz em países como Camboja, Líbano, Kosovo, Ruanda e Timor-Leste. Mas o que mais chamava atenção nele era a forma como trabalhava, abdicando de hierarquias, conversando e olhando nos olhos de todos, buscando compreender e ouvir todas partes em um conflito mesmo que por detrás da mesa estivesse um genocída ou um ditador.

Ontem, assistindo um documentário sobre ele, pude reconhecer rostos, vozes, lugares, que antes somente com a leitura da biografia, eram apenas representações fantasiosas de minha mente. Ler, assistir, ouvir, ver o Sérgio é como um combustível àqueles que buscam no seu trabalho uma forma de deixar um legado de paz por onde passar.

terça-feira, 16 de março de 2010

Oscar 2010

Interessante notar com o passar dos anos a decadência ou ainda o descrédito acrescido ao Oscar, o aclamado prêmio da Indústria Cinematográfica. Mas fico pensando se esta derrocada não é inversamente proporcional ao aprimoramento de nosso senso crítico. De qualquer forma não se pode deixar de sublinhar suas incoerências. Acostumado a “deixar de lado” os destaques de grandes festivais como Cannes e renomados diretores como Almodóvar e Ozon, este ano houve explicitamente uma grande vontade de gerar mais renda e público para os filmes estadunidenses.

O relançamento de Guerra ao Terror (2008) e suas posteriores estatuetas falam por si só. O já imensamente rentável Avatar não pôde então levar tantas (não que para mim seja também um filme merecedor de um prêmio de melhor película do ano). Tudo pode dar certo, por exemplo, que prima pela costumeira sensibilidade de Woody Allen e conta com ótimas atuações, não foi lembrado.

Vale a pena conferir os “vencedores” do último Oscar, nem que seja apenas para refinar nossas críticas a sobreposição de interesses financeiros à qualidade artística no “grande prêmio” da cinematografia mundial.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Welcome

Bem vindo (Welcome, 2009), escrito e dirigido pelo francês Philippe Lioret, entrelaça duas histórias de amor. De um professor de natação francês e sua ex-mulher e de um refugiado curdo do Iraque que sonha reencontrar sua namorada na Inglaterra. Enquanto o segundo vê a travessia do Canal da Mancha a nado como última forma de chegar aos seus objetivos, o primeiro envolve-se nesta história e percebe que o fim do seu relacionamento pode ainda ser contornado. O filme, apesar de abordar questões referentes às leis imigratórias europeias, não me pareceu intuído a críticas e discussões, mas sim como um pano de fundo bem chamativo já que vem sendo muito discutido nas agendas políticas dos Estados europeus atualmente.


sexta-feira, 17 de abril de 2009

Mataram a irmã Dorothy

A vida e morte da estadunidense naturalizada brasileira Dorothy Stang, são retratadas no documentário "Mataram a irmã Dorothy" de Daniel Junge, que estréia hoje nos cinemas brasileiros.

A freira Dorothy Stang, de 73 anos, foi assassinada em Fevereiro de 2005 no Pará onde apoiava projetos, como o Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS), que prevê o assentamento de famílias em terras da Amazônia destinadas pelo governo federal, conciliando a utilização reduzida da floresta e a agricultura familiar. Suas acusações contra a grilagem das terras destinadas ao projeto custaram-lhe a vida.

O documentário é de 2008, não abarcando os últimos acontecimentos do início deste mês, onde o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, acusado de ser o mandante do crime entregou-se a polícia.


segunda-feira, 6 de abril de 2009

Jean Charles

O longa “Jean Charles” de Henrique Goldman deverá em Junho estrear nos cinemas brasileiros. O filme, baseado em uma história real, conta a história do brasileiro Jean Charles de Menezes, assassinado pela polícia britânica em 2005. Certamente questões como os fluxos migratórios de brasileiros e a impunidade da polícia serão abordados. Confira o trailer:


terça-feira, 31 de março de 2009

Entre Les Murs


“Entre Les Murs” (2007) de Laurent Cantet, inspirado no livro homônimo de François Bégaudeau (também protagonista do filme), nos dá a impressão de estarmos assistindo a um documentário, não apenas por suas imagens e formas de utilizar a câmera, mas pela convincente atuação de seus atores.

A história se passa em uma escola na periferia de Paris e especialmente em uma turma onde os alunos devem ter entre 14 e 15 anos. A relação e postura da escola e dos professores diante da indisciplina e falta de interesse de alunos pode ser visto nesta película, entretanto o que chama a atenção é a atual composição destas turmas com alunos de diversas nacionalidades, o que retrata não apenas o universo escolar francês.

As respostas da escola e dos professores têm que ser pensadas levando em consideração esta diversidade, fazendo com que seja uma aliada na integração e aprendizagem destes alunos.





terça-feira, 24 de março de 2009

Sugestão de documentários



Jogo de Cena (2007) de Eduardo Coutinho e Santiago (2007) de João Moreira Salles

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Cinema

Três filmes buscam “roubar a cena” neste segundo semestre no cinema nacional. As estréias de Última Parada, 174, Linha de Passe e Era uma vez… prometem levar milhões de brasileiros aos cinemas.

O primeiro é uma película de Bruno Barreto inspirada no documentário Ônibus 174 (2002) de José Padilha. No ano passado Barreto lançou Caixa Dois, mas o diretor é mais lembrado por ter levado 12 milhões de pessoas para assistir Dona Flor e Seus Dois Maridos (1974) e por O que é isso, Companheiro (1998) com atuações impecáveis de Fernanda Torres e Cláudia Abreu.

O segundo é um filme de Walter Salles e Daniela Thomas que já rendeu a Sandra Corveloni o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes. Salles tem como destaque em sua filmografia:Paris, je t’aime (2006); Diários de Motocicleta (2004); O Primeiro Dia (1998); e Central do Brasil (1998) um dos filmes nacionais mais premiados com destaque para a atuação de Fernanda Montenegro.

Por fim Era uma vez… de Breno Silveira, diretor de 2 Filhos de Francisco (2005).


Fique de olho também em Blindness de Fernando Meirelles, inspirado na obra Ensaio sobre a Cegueira de José Saramago.




Cenas respectivamente de : Última Parada, 174; Linha de Passe; e Era uma vez…

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Grande Sertão: Veredas


Ler Grande Sertão: Veredas é se deleitar com o despertar de uma espécie de novo idioma e novos dialetos, que talvez possamos batizá-lo de "Guimarês". É mais do que aventuras, jagunços, veredas, é a utilização com única maestria das palavras, suas possibilidades e interpretações.


Na obra de João Guimarães Rosa a moral, as crenças, a morte, a guerra, o amor e a amizade podem ser vistos por outras dimensões.


"... Como é que posso com este mundo? A vida é ingrata no macio de si; mas transtraz a esperança mesmo do meio do fiel do desespero. Ao que, este mundo é muito misturado..."


"... E por que era que há de haver no mundo tantas qualidades de pessoas - uns já finos de sentir e proceder, acomodados na vida, tão perto de outros, que nem sabem de seu querer, nem da razão bruta do que por necessidades fazem e desfazem..."

domingo, 27 de julho de 2008

Indicações

Filme: Piaf - Um Hino ao Amor (La Môme). De Oliver Dahan, 2007
























A trajetória da contora francesa Edith Piaf, com destaque para a atuação da atriz Marion Cotillard.


Liteartura: O Jogador. De Fiódor Dostoiévki






















Música: Inclassificáveis, Ney Matogrosso

















Preste atenção nas músicas: "Sea" de Jorge Drexler e "Veja bem meu bem" de Marcelo Camelo.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Fernando Pessoa


A leitura de Fernando Pessoa nos faz perceber a sua extraordinária plasticidade. Pessoa, não era apenas Fernando, se multiplicava como para suprir a defasagem cultural portuguesa frente aos outros países europeus no início do século XX.

Possui a singular característica de proporcionar ao leitor a possibilidade de exteriorizar suas emoções, canções e sonhos.



Arte

“ A Arte consiste em fazer os outros sentir o que nós sentimos, em os libertar deles mesmos, propondo-lhes a nossa personalidade para especial libertação. O que sinto, na verdadeira substância com que o sinto, é absolutamente incomunicável; e quanto mais profundamente o sinto, tanto mais incomunicável é. Para que eu, pois, possa transmitir a outrem o que sinto, tenho que traduzir os meus sentimentos na linguagem dele, isto é, que dizer tais coisas como sendo as que eu sinto, que ele, lendo-as, sinta exactamente o que eu senti. E como este outrem é, por hipótese de arte, não esta ou aquela pessoa, mas toda a gente, isto é, aquela pessoa que é comum a todas as pessoas, o que, afinal, tenho que fazer é converter os meus sentimentos num sentimento humano típico, ainda que pervertendo a verdadeira natureza daquilo que senti”.