sexta-feira, 17 de abril de 2009

Mataram a irmã Dorothy

A vida e morte da estadunidense naturalizada brasileira Dorothy Stang, são retratadas no documentário "Mataram a irmã Dorothy" de Daniel Junge, que estréia hoje nos cinemas brasileiros.

A freira Dorothy Stang, de 73 anos, foi assassinada em Fevereiro de 2005 no Pará onde apoiava projetos, como o Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS), que prevê o assentamento de famílias em terras da Amazônia destinadas pelo governo federal, conciliando a utilização reduzida da floresta e a agricultura familiar. Suas acusações contra a grilagem das terras destinadas ao projeto custaram-lhe a vida.

O documentário é de 2008, não abarcando os últimos acontecimentos do início deste mês, onde o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, acusado de ser o mandante do crime entregou-se a polícia.


segunda-feira, 6 de abril de 2009

Jean Charles

O longa “Jean Charles” de Henrique Goldman deverá em Junho estrear nos cinemas brasileiros. O filme, baseado em uma história real, conta a história do brasileiro Jean Charles de Menezes, assassinado pela polícia britânica em 2005. Certamente questões como os fluxos migratórios de brasileiros e a impunidade da polícia serão abordados. Confira o trailer:


terça-feira, 31 de março de 2009

Entre Les Murs


“Entre Les Murs” (2007) de Laurent Cantet, inspirado no livro homônimo de François Bégaudeau (também protagonista do filme), nos dá a impressão de estarmos assistindo a um documentário, não apenas por suas imagens e formas de utilizar a câmera, mas pela convincente atuação de seus atores.

A história se passa em uma escola na periferia de Paris e especialmente em uma turma onde os alunos devem ter entre 14 e 15 anos. A relação e postura da escola e dos professores diante da indisciplina e falta de interesse de alunos pode ser visto nesta película, entretanto o que chama a atenção é a atual composição destas turmas com alunos de diversas nacionalidades, o que retrata não apenas o universo escolar francês.

As respostas da escola e dos professores têm que ser pensadas levando em consideração esta diversidade, fazendo com que seja uma aliada na integração e aprendizagem destes alunos.





terça-feira, 24 de março de 2009

Sugestão de documentários



Jogo de Cena (2007) de Eduardo Coutinho e Santiago (2007) de João Moreira Salles

quinta-feira, 12 de março de 2009

O Sudão no "Pé na África"

A região do Darfur, no Sudão, é uma das zonas em que mais se constata desrespeito aos direitos humanos. As perseguições e assassinatos correntes no país geraram o maior número de deslocados internos no mundo. Pessoas desenraizadas às pressas, que perdem além de suas casas e terras, suas famílias e redes sociais construídas ao longo de suas vidas.

Duas questões recentes chamaram a atenção do jornalista Fábio Zanini em seu blog Pé na África. O indiciamento do presidente sudanês Omar al-Bashir por crimes contra a humanidade, pelo Tribunal Penal Internacional; e, sua reação: a expulsão de 13 ONGs que prestam assistência humanitária na região. Destaco também seu artigo anterior onde discute as relações entre o Sudão e o Brasil. Zanini percebe que interesses econômicos nacionais possam estar por trás da postura neutra do Brasil frente aos milhões de sudanenes que vêem talvez como única esperança a pressão da comunidade internacional, especialmente aqueles países que mantém relações econômicas e políticas com o Sudão, na solução de seus problemas.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Mudanças climáticas e migrações forçadas

Em 2007, a Refugees Studies Centre - University of Oxford publicou um artigo intitulado: “Environmentally displaced people: understanding linkages between environmental change, livelihoods and forced migration” de autoria de Camillo Boano, Roger Zetter e Tim Morris. Os autores centram-se na proteção das pessoas deslocadas por razões ambientais.

O Termo “Refugiado Ambiental” cada vez mais usado apesar de haver nenhuma definição na lei internacional, contradiz o conceito de refugiado (determinado a mais de meio século sem as devidas reformulações) já que nem todas as pessoas deslocadas pelas alterações climáticas fogem de violência ou atravessam as fronteiras nacionais.

Porém a questão essencial aqui não é a reformulação da Convenção de Genebra de 1951 (questão que serviu de base para uma postagem em 03/10/2008), mas sim a determinação de um termo internacionalmente reconhecido que servirá de sustentação ao censo destas pessoas e às futuras políticas que garantam sua proteção.

Os autores destacam que para maior alcance das intervenções políticas é necessária uma maior diferenciação da compreensão das diferentes formas de deslocamento ambiental; identificação com antecedência para prevenir; examinar as propostas e estratégias locais; monitorar tendências migratórias; desenvolvimento sustentável; além de mapear as regiões mais vulneráveis.

Ainda sublinham a importância de uma reformulação institucional, seja local, nacional ou internacional, destacam o papel dos países desenvolvidos e em desenvolvimento, os impactos das mudanças ambientais nos meios de subsistência, podendo inclusive gerar conflito sobre os recursos restantes.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Violência de Gênero


No último dia 06 celebrou-se o Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina. Calcula-se que cerca de 70 milhões de mulheres sofreram mutilação ou excisão em África e no Oriente Médio (Fonte: UNICEF). Práticas como esta, presentes ainda em pleno século XXI, não devem ser negligenciadas em favor de um pretenso “relativismo cultural”. Recentemente muitos líderes religiosos sudaneses declararam que a prática não vai ao encontro da fé ou das práticas islâmicas, fazendo o país dar um grande salto à sua erradicação.


A mutilação genital, além de atentar contra os direitos humanos, põe em risco a saúde, não apenas física, da mulher. O combate a outras práticas de violência de gênero, como a violência sexual, deve também estar presente na agenda política dos países, especialmente onde as instituições vêem-se enfraquecidas por confrontos civis ou internacionais, ou por sua submissão a um poder paralelo.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Le Monde Diplomatique Brasil

O Le Monde Diplomatique Brasil (http://diplo.uol.com.br/) deste mês trouxe a discussão de questões bastante relevantes na atualidade. Dentre elas, debateu a possibilidade da institucionalização de uma nova corporação policial com a unificação das polícias militar e civil para que seus valores não mais colidam; repensou o sistema sócio-político cubano aspirando uma democracia participativa; denunciou os esquemas “obscuros” da CIA (Central Intelligence Agency); destacou a importância do IX Fórum Social Mundial* ocorrer em Belém (PA) onde pretende-se dialogar a defesa da natureza, os direitos dos povos indígenas, e questões relacionadas a energia, a terra, infra-estrutura e militarização; destaca-se também nesta edição o papel das remessas de imigrantes para seus países de origem. A função desempenhada por instituições financeiras e seus interesses, a dependência externa de alguns países que poderia ser substituída por investimentos que gerariam emprego e renda, além dos possíveis impactos da atual crise financeira para as remessas.


*O IX FSM ocorrerá entre os dias 27/01 e 01/02. http://www.forumsocialmundial.org.br/

domingo, 7 de dezembro de 2008

Quem paga a conta?

Os recentes desastres causados pela chuva no Brasil, especialmente em Santa Catarina mas também no Rio de Janeiro e Espírito Santo, podem servir de lição para pensarmos como as mudanças climáticas causadas pelo homem através do uso indevido dos recursos naturais, da emissão de gases nocivos ao meio ambiente, da grande produção de lixo, entre outros, relaciona-se com estas catástrofes.

O Brasil é um Estado que possui hoje uma capacidade de responder rapidamente a calamidades como estas, além é claro de estar estrategicamente bem relacionado com as potências mundiais. E aqueles Estados que assim não estão? Quem responderia por sua população? Instituições transnacionais se responsabilizariam? Mas quem arcaria com os custos?

Se os Estados mais desenvolvidos e alguns em desenvolvimento são os principais poluidores e destruidores ferozes do meio-ambiente, por que não ser responsabilizados pelos efeitos destrutivos das “respostas” da natureza?

Enquanto esta questão permanecer fora das discussões e agendas dos principais atores políticos da atualidade, reforça-se a capacidade destrutiva dos países ricos e potencializa-se o desrespeito aos Direitos Humanos básicos à grande parcela da humanidade nos países pobres.