segunda-feira, 5 de julho de 2010

Indio para vice!

Muitas especulações marcaram as idas e vindas de possíveis nomes para a candidatura para vice-presidente da Coligação PSDB/DEM. Informações vazadas inclusive por um parceiro de Serra para as próximas eleições, o muito conhecido presidente do PTB Roberto Jefferson, fizeram criar um clima de animosidade entre os aliados. O antigo PFL não quis abrir mão desta vez de pleitear o cargo de vice-presidente e sem um nome de muito peso nos grandes colégios eleitorais brasileiros acabou por indicar o deputado Indio da Costa. Desconhecido até mesmo pelo próprio companheiro de chapa, o jovem deputado sustenta algumas ideias polêmicas, como a pena de morte para narcotraficantes e a proibição da venda de algumas guloseimas nas cantinas das escolas.

Por uma falta óbvia de constitucionalidade, um dos seus projectos acabou “arquivado”. Indio era a favor que se multasse a quem desse esmolas a pedintes nas ruas do Rio de Janeiro. Talvez por falta de muitas habilidades em conduzir políticas internacionais, foi contra a ajuda dada pelo Brasil ao Haiti – ainda antes do grande terremoto, e indo ao encontro de um projeto de Serra em São Paulo que mandou retirar os bancos dos pontos de ônibus que pudessem servir de cama a mendigos, quis proibir no RJ o comércio ambulante, talvez com a mesma intenção do psdbista: esconder as desigualdades e problemas sociais dos olhos de turistas, mídia e dos brasileiros mais abastados.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Luanda

Por aqui as ruas estão sempre cheias. São muitos carros, aliás muitos de luxo que contrastam com a miséria por detrás de seus vidros, um trânsito inacreditável. O tráfego de pessoas também é intenso, sejam transeuntes, sejam vendedores. Vendem de tudo: balanças, frutas, panelas, dólares ou kwanzas, roupas, sapatos, cintos, telefones etc. Arriscam-se entre tantos carros e motos, normalmente com motociclistas sem capacetes. As calçadas muitas vezes são pedras sobre pedras, as crianças vêm logo pedir 5 ou 10 kwanzas, cerca de 5 ou 10 cents. É difícil imaginar o que fariam com esse dinheiro num país imenso com solo e clima propícios que entretanto não produz muitos alimentos, e têm nas prateleiras dos supermercados meia dúzia de ovos que quase chega a 3 dólares. As ruas não são muito limpas, o serviço de coleta de lixo não é dos melhores e muitos não possuem sistema de esgoto ou uma fossa em casa.

Inacreditável é pensar que dentro de tantas adversidades encontra-se lugar para um sempre sorriso estampado nos rostos. Sempre solícitos e prestativos, no entanto calados diante de seus problemas. Talvez seja um grande trauma por um período tão grande de guerra. Não cultua-se por aqui o simples ato democrático de contestar e exigir mais dignidade.

As novas gerações dirão como tudo passará nos próximos anos, aliás o país é delas já que por aqui não se vive mais do que 40 anos em média. Resta saber como tudo acontecerá, se os motoristas dos luxuosos carros abaixarão seus vidros elétricos ou se será necessário que os pedestres os quebrem.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

José Saramago - 16 de Novembro de 1922 / 18 de Junho de 2010

Foi… Como deveria ser… A lei natural…
Talvez depara-se com surpresas, o ateu indomável.
Deixou para trás um legado de idéias, pensamentos, palavras que a muitos fez refletir. Inclusive a mim, leitor e apreciador.
Resta-nos a leitura dos livros que ainda não lemos e é claro as emoções, sensações e perturbações deixadas neles.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

O quase fim do mundo


“O quase fim do mundo” de Pepetela não me emocionou como esperava. Por vezes sentia-me em Macondo, a pequena aldeia de Garcia Marquez em “Cem Anos de Solidão”, por outras notava certas influências de Saramago em “Ensaio sobre a cegueira” e até mesmo do romance setecentista de Daniel Defoe, “Robinson Crusoé”. Um título e uma idéia fascinantes que perderam-se por falta de criatividade e bons diálogos.

Todavia a originalidade ganha força com a narrativa. Os narradores entrelaçam-se com muita habilidade, fazendo de uma leitura menos atenta, uma confusão de significações.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

La Nana

A película chilena “La Nana” (2009) surpreendeu-me. Não somente pela atuação impecável da protagonista vivida por Catalina Saavedra ou pelo inteligente uso da câmera que sutilmente nos transporta para a casa onde mora e trabalha Raquel, personagem de Catalina. Poucas foram as cenas que “sobraram” neste filme - digo, sobraram, por uma tendência que se vê em muitos filmes em subestimar a capacidade interpretativa e crítica dos expectadores, apresentando de maneira desgastante a personalidade e as relações estabelecidas entre os personagens.

Sebastián Silva não apenas traz à tona as emoções, inquietações, angústias, medos, regozijos de sua protagonita, faz algo que poucas vezes vi no cinema, nos põe a refletir sobre o entrelaçamento das relações sociais e pessoais recaindo sobre o carácter e a personalidade das pessoas. Não propõe caminhos certos ou desviantes, apenas nos envolve numa trama vulgar e inquietante.


quarta-feira, 14 de abril de 2010

O Homem ou o Cão?

O que é mais perceptível? Um cantar intermitente de um homem flagelado por mazelas desconhecidas, ou o ladrar de um cãozinho, sujinho, diga de passagem, entretanto sem perder o encantamento dos seus cachos brancos?

Saía de casa em direção ao metrô, e por lá ele estava. Era a primeira vez que o via pelas ruas alfacinhas. Maltrapilho, descuidado, cabelo e barba por fazer, talvez sendo possível aproximar-me sentiria um forte odor, daqueles acumulados pela falta de água. Sobre um carrinho, semelhante aos dos “catadores de papelão” no Brasil, levava consigo poucos pertences, para muitos seria apenas lixo, para ele talvez as poucas coisas que possuía, carregadas quem sabe de um valor sentimental inestimável.

Seu canto era palavras irreconhecíveis, mas era carregado de uma emoção que não poderia descrever. “Palavras” que poderiam soar como um canto ou um protesto. Talvez muitos o considere um louco, enterrado em suas enfermidades sociais, mas a lucidez poderia ser contestada em momentos em que o sistema nos exclui de tal forma que nos deixa invisível perante aos ainda não excluídos/invisíveis?

Voltando para casa, pude vê-lo novamente, agora bem na Praça de Camões, reduto agora compartilhado com turistas, jovens com fins de manhãs livres, idosos sem companhia e talvez alguns vendedores de drogas. Mas sempre acompanhado de seu cãozinho, valente ao ladrar àqueles que ousam se aproximar, ainda mais se considerarmos o seu tamanho. Se não fosse esse pormenor muitos que ali passavam acariciariam sua cabeça e talvez a adoção passasse por suas mentes. E o canto do Homem perdera-se como uma trilha musical por muitos considerado desnecessário.

Não nego que o Cão tirou-me um sorriso do rosto após uma noite com poucas horas dormidas e de um dia não muito bonito carregado de nuvens negras cheias de água no céu. Será que o “canto” do seu rosnar e latir soam melhor nos nossos ouvidos?

terça-feira, 13 de abril de 2010

Sérgio Vieira de Mello

Há poucos meses li a biografia de Sérgio Vieira de Mello, escrita pela jornalista/escritora/académica/funcionária do governo dos EUA, a irlandesa/estadunidense Samantha Power, aliás, com um rigor investigativo invejável em dias em que escrevem-se biografias em duas semanas para suprir a procura de um mercado pós-morte ou corresponder aos apelos midiáticos de “novas personalidades”.

Apesar de brasileiro, fora pouco conhecido no Brasil já que a “grande mídia” (talvez mais adequado o uso do termo “mídia grande”) não o considerava digno de interesse em leitores mais acostumados em ler as fofocas, o que se passa na TV, ou ainda as notícias esportivas. Não que a mídia especializada ou revistas mais conceituadas se debruçassem sobre seu trabalho ou acontecimentos ligados à sua vida. A carência fora generalizada sobre uma das mais importantes autoridades internacionais brasileiras. Admito que talvez, se não tivesse afinidades profissionais que iam ao encontro do trabalho realizado por Sérgio, pouco saberia a seu respeito.

Sérgio fora assassinado no Iraque, em uma missão de paz da ONU que ele mesmo chefiava, em 2003 logo após a conturbada invasão estadunidense. Trabalhou durante cerca de três décadas na ONU e era o Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Atuou em missões de paz em países como Camboja, Líbano, Kosovo, Ruanda e Timor-Leste. Mas o que mais chamava atenção nele era a forma como trabalhava, abdicando de hierarquias, conversando e olhando nos olhos de todos, buscando compreender e ouvir todas partes em um conflito mesmo que por detrás da mesa estivesse um genocída ou um ditador.

Ontem, assistindo um documentário sobre ele, pude reconhecer rostos, vozes, lugares, que antes somente com a leitura da biografia, eram apenas representações fantasiosas de minha mente. Ler, assistir, ouvir, ver o Sérgio é como um combustível àqueles que buscam no seu trabalho uma forma de deixar um legado de paz por onde passar.

terça-feira, 16 de março de 2010

Oscar 2010

Interessante notar com o passar dos anos a decadência ou ainda o descrédito acrescido ao Oscar, o aclamado prêmio da Indústria Cinematográfica. Mas fico pensando se esta derrocada não é inversamente proporcional ao aprimoramento de nosso senso crítico. De qualquer forma não se pode deixar de sublinhar suas incoerências. Acostumado a “deixar de lado” os destaques de grandes festivais como Cannes e renomados diretores como Almodóvar e Ozon, este ano houve explicitamente uma grande vontade de gerar mais renda e público para os filmes estadunidenses.

O relançamento de Guerra ao Terror (2008) e suas posteriores estatuetas falam por si só. O já imensamente rentável Avatar não pôde então levar tantas (não que para mim seja também um filme merecedor de um prêmio de melhor película do ano). Tudo pode dar certo, por exemplo, que prima pela costumeira sensibilidade de Woody Allen e conta com ótimas atuações, não foi lembrado.

Vale a pena conferir os “vencedores” do último Oscar, nem que seja apenas para refinar nossas críticas a sobreposição de interesses financeiros à qualidade artística no “grande prêmio” da cinematografia mundial.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Welcome

Bem vindo (Welcome, 2009), escrito e dirigido pelo francês Philippe Lioret, entrelaça duas histórias de amor. De um professor de natação francês e sua ex-mulher e de um refugiado curdo do Iraque que sonha reencontrar sua namorada na Inglaterra. Enquanto o segundo vê a travessia do Canal da Mancha a nado como última forma de chegar aos seus objetivos, o primeiro envolve-se nesta história e percebe que o fim do seu relacionamento pode ainda ser contornado. O filme, apesar de abordar questões referentes às leis imigratórias europeias, não me pareceu intuído a críticas e discussões, mas sim como um pano de fundo bem chamativo já que vem sendo muito discutido nas agendas políticas dos Estados europeus atualmente.


terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Compra de um veículo X Emissão de gases poluentes

Na hora da compra de um automóvel, dentre os mais de 400 carros produzidos no Brasil, o grau de emissão de gases poluentes pode ser um bom parâmetro para a escolha. Em lista divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente, Citroën e Peugeot destacam-se por poluírem mais, enquanto General Motors e FIAT por estarem mais atentos às questões ambientais.

Segue a lista dos mais poluentes:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ambiente/ult10007u660085.shtml