domingo, 27 de julho de 2008

Indicações

Filme: Piaf - Um Hino ao Amor (La Môme). De Oliver Dahan, 2007
























A trajetória da contora francesa Edith Piaf, com destaque para a atuação da atriz Marion Cotillard.


Liteartura: O Jogador. De Fiódor Dostoiévki






















Música: Inclassificáveis, Ney Matogrosso

















Preste atenção nas músicas: "Sea" de Jorge Drexler e "Veja bem meu bem" de Marcelo Camelo.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

O Princípio do Não-Intervencionismo no séc. XXI

Os anos, décadas e séculos passam e existem certas dificuldades na evolução e adaptação de conceitos, jurisdições e princípios internacionais. O princípio da Soberania Estatal remonta a Guerra dos 30 anos no século XVII e não acompanha a complexidade e multiplicidade de questões referentes as fronteiras nacionais.

Comumente, Estados desrespeitam os Direitos Humanos e princípios democráticos básicos como o direito ao voto dos seus cidadãos. O mundo neste momento volta sua atenção ao Zimbábue onde o presidente Robert Mugabe, no poder há quase três décadas, através de eleições assinaladas por perseguições, mortes e fraudes, venceu o escrutínio com 85% dos votos, após Morgan Tsvandirai, seu principal adversário abdicar de sua candidatura.

Alguns países africanos como Quênia e Serra Leoa, assim com EUA e União Europeia esperavam mais da Cúpula da União Africana ocorrida no Egito este mês, que foi caracterizada pela neutralidade dos anfitriões.

Sanções já são aplicadas e outras estudadas frente ao radicalismo do Governo zimbabuano, que diz que não irá ceder às pressões externas. Porém é preciso alertar que a aplicação de punições pode afectar principalmente a população civil, duramente oprimida.

O Chefe de Estado da Líbia, Moammar Gadahfi, em visita a Uganda neste ano, deixou claro o que pensa sobre as influências externas: "O partido de Museveni (Presidente de Uganda) precisa garantir que líderes tão bons como os irmãos Museveni não sejam depostos apenas por causa de algo como um voto".

Volta-se então a questão central debatida. Até que ponto o Princípio do Não-Intervencionismo e a garantida Soberania Estatal pode ferir os Direitos do Homem universalmente reconhecidos. Por que estes conceitos não podem ser revistos pelo prisma dos atuais fenômenos migratórios, desrespeitos sistemáticos dos Direitos Humanos e multiplicidade de conflitos econômicos, políticos e estratégicos mundiais?

No entanto estas questões devem ser debatidas onde países ricos e pobres tenham o mesmo poder em discussões, votações e elaborações de políticas. A contextualização nos dias atuais de princípios tão fortemente enraizados nos Estados-Nação devem levar em consideração que estes Estados não deixarão de ser os principais atores e estabilizadores mundiais, apenas verão suas competências serem flexibilizadas com as questões e problemas emergentes no século XXI.

Com os mesmos pesos e medidas poderá ser evitado em um futuro próximo: que a democracia e os princípios de igualdade não sejam violados; ao mesmo tempo que este debate não sirva para legitimar invasões imperialistas, onde os interesses econômicos e estratégicos e não os Direitos Humanos são os principais motivadores para se contestar a Soberania de Estados ainda não estruturados após o neo-colonialismo.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Guerra do Petróleo

Para quem ainda acreditava nas intenções humanitáras estadunidenses e britânicas na invasão do Iraque, pode ter se decepcionado com o anúncio da inédita abertura de licitações para países estrangeiros da exploração dos maiores compos petrólíferos iraquianos. Ganha pontos quem previa o propósito econômico do conflito.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Fernando Pessoa


A leitura de Fernando Pessoa nos faz perceber a sua extraordinária plasticidade. Pessoa, não era apenas Fernando, se multiplicava como para suprir a defasagem cultural portuguesa frente aos outros países europeus no início do século XX.

Possui a singular característica de proporcionar ao leitor a possibilidade de exteriorizar suas emoções, canções e sonhos.



Arte

“ A Arte consiste em fazer os outros sentir o que nós sentimos, em os libertar deles mesmos, propondo-lhes a nossa personalidade para especial libertação. O que sinto, na verdadeira substância com que o sinto, é absolutamente incomunicável; e quanto mais profundamente o sinto, tanto mais incomunicável é. Para que eu, pois, possa transmitir a outrem o que sinto, tenho que traduzir os meus sentimentos na linguagem dele, isto é, que dizer tais coisas como sendo as que eu sinto, que ele, lendo-as, sinta exactamente o que eu senti. E como este outrem é, por hipótese de arte, não esta ou aquela pessoa, mas toda a gente, isto é, aquela pessoa que é comum a todas as pessoas, o que, afinal, tenho que fazer é converter os meus sentimentos num sentimento humano típico, ainda que pervertendo a verdadeira natureza daquilo que senti”.

sábado, 20 de outubro de 2007

DocLisboa 2007

Começou na última quinta-feira (18/10/07) o 5º Festival Internacional de Cinema Documental de Lisboa. O evento que se estende até o dia 28 conta com oito secções, dentre elas a Competição Nacional e Internacional. Serão apresentados 145 filmes, dentre eles o Grande Prêmio Cinema du Réel 2007: "Santiago", do brasileiro João Moreira Salles.


Michael Moore polemiza novamente com "Sicko" onde denuncia as debilidades do sistema de saúde americano. Mas Rick Caine e Debbie Melnyk com "Manufacturing Dissent" tentam desmistificar os trabalhos de Moore, onde procuram compreender os processos de trabalho de um autor que se mostra tão fugidio como as personagens de seus filmes.


O Festival este ano se destaca por denunciar formas de opressão e exploração do homem com o homem. Política, consumismo, desigualdades sociais, abandono, hipocrisia são temas recorrentes nos filmes apresentados. Dentre eles se destacam: o estadunidense, que abriu o Festival, "Taxi to the Dark Side" de Alex Gigney, onde denuncia a legalização da tortura das "técnicas de interrogação de suspeitos" pelos militares dos EUA,; e o dinamarquês "Enemies of Happiness" onde Eva Mulvad e Anja Al-Erhayem mostram as dificuldades de uma mulher em defender suas idéias políticas no Afeganistão.


Se destacam ainda os franceses "Elle s'appelle Sabine" e "5-7 rue Corbeau"; o australiano "SchoolScapes"; o russo "Rebellion: The Litvinenko case"; o israelense "Hot House"; o português "Metamorfoses"; o egípcio "These Girls"; o estadunidense "The Devil Came on Horseback"; e a co-produção França/Reino Unido: "Cuba, Une Odyssée Africaine.

sábado, 25 de agosto de 2007

Orlando


Pode-se dizer que esta é uma obra conjunta de Virgínia Woolf, a escritora, e Cecília Meireles, a tradutora. Uma biografia que poderia ser minha ou sua, de um brasileiro ou um britânico, de um miserável ou um abastado, em qualquer tempo. Uma leitura que nos propõe questionar a consciência, os medos e a hipocrisia humana.

“Nenhuma paixão é mais forte, no peito humano, que o desejo de impor aos demais a própria crença.”

“... era homem; era mulher; conhecia os segredos, compartilhava as fraquezas de cada um ... Não é para admirar que confrontasse os sexos entre si, e alternativamente achasse cada um repleto das mais deploráveis misérias e não soubesse, com segurança, a qual pertencia.”

“E apesar disso mantém uma fé para a qual os bens são vaidades e a morte desejável.”

“- És mulher, Shel – disse ela.
- És homem, Orlando – disse ele.”

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Cidadãos do Mundo

O cotidiano, o nosso dia-a-dia, muitas vezes por sua correria, nos impede de refletirmos sobre determinados assuntos, principalmente aqueles chamados “polêmicos”. Fechamos- nos, por puro egoísmo, a discussão de fatos importantes ao desenvolvimento social. São necessários muitos debates, discussões, mesas redondas, ou simples conversas tomando uma cerveja num boteco, para deslancharmos idéias e ideais. A troca de experiências faz enriquecer e aperfeiçoar o que queremos e pensamos para que possamos reivindicar e questionar nosso sistema político e econômico.

Quando se fala sobre o sistema capitalista, percebo que parece ser um caminho inevitável. Muitos simplesmente contrapõem o Capitalismo e o Socialismo, ou são radicais ao ponto de propor a derrubada do atual sistema sem propor outro que seja justo e igualitário, e que possa ser implementado sem preconceitos e totalitarismo.

É necessário que se pense em alternativas viáveis capazes de amenizar o sofrimento e a fome de grande parte da população brasileira e mundial, e se será necessária uma revolução, ou as mudanças aconteceriam gradualmente? Uma revolução pode ser mal vista pelas mudanças radicais e inesperadas, mas será que conseguiríamos transformar o que há hoje com mudanças graduais? Será que esta forma não seria apenas uma maneira dos poderosos de hoje se perpetuarem no poder e manter o abismo entre ricos e pobres?

Em qual proporção melhoramos nosso mundo racionando água, utilizando meios de energia renováveis, se o Mundo (digo as Nações e as Organizações Internacionais) não pressionarem e obrigarem o maior vilão da poluição mundial, os EUA, em pararem sua devastação do ar, do solo, da água etc.

É necessário que sejamos capazes de distribuir melhor os lucros das empresas multinacionais, que se instalam pelo mundo utilizando as melhores e mais baratas matérias-primas e as piores remunerações de mão-de-obra possíveis, não garantindo a estas pessoas a mesma dignidade que os cidadãos de seus países recebem.

É possível nos tornarmos cidadãos do mundo, lutando pela igualdade étnica, racial, sexual, de gênero, entre pessoas de todos os países, tolerando nossas diferenças mentais, físicas, religiosas, políticas, de idade, de idéias e pensamento.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Memórias

Ela tem menos de 18 anos.
O fogo entre as pernas é típico da idade.
Sai, volta tarde. Não tem o que falar.
Tapa na cara.
Chora.
Sua mãe pede: “não bate na menina, não”.

Amigos conversando. Dois nem tanto.
Nem tanto amigos, nem tanto conversando.
Digo que gosto. Ele grita.
Um tenta falar. Não consegue. Tenta de novo.
Ela não lê livros. Não gosta. Ele grita.
Afinidade se conquista, mas também é natural.
Todos bebemos, aí somos iguais. Mas ela não bebe.

Tínhamos oito anos. Descobrindo o sexo.
Já não se descobre o sexo como antigamente.
Cruzamos pela rua uns dez anos depois.
Cumprimentamos-nos. Ninguém para.

Grávida. Marginalizada. Maltrapilha.
Passa pela porta giratória. Atravessa.
Para em minha frente, me interrompe. Pede 10 “real”.
Digo que não tenho. Tinha no mínimo 50, pra ela pagar 150.
Não sei como. Talvez vendendo seu corpo, vendendo seu filho que ainda não nasceu. Roubando.
O banqueiro é humano, não empresta os 50 reais.
Ela não precisa se vender.

Festa na casa de um desconhecido.
Ônibus cheio. Mais de uma hora.
Chegamos.
Pego uma faca. Acerto em cheio o gelo. Outras facadas.
Latinhas de cerveja sob o gelo. Furo uma.
Vejo pela primeira vez seu sorriso.