quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Os Sofrimetos do Jovem Werther


Os Sofrimetos do Jovem Werther data do início do século XVIII. Legítima representante do romantismo, a obra de Goethe é marcada pela dramaticidade, valorização das emoções e idealização da mulher.

O livro, disse-se que auto-biográfico por Goethe ter vivido um amor não correspondido, sempre fascinou-me por se dizer que influenciou na época, um surto de suicídio pelos jovens europeus e de ter sido proibida sua reprodução em alguns locais.



“Estive quase a interromper, porque não há nada que mais me exaspere do que ouvir responderem-me com insignificantes lugares comuns os argumentos que eu vou procurar ao fundo do coração…”

“…Também me contraria muito que ele aprecie mais o meu tino e o meu saber do que este pobre coração, o único dote do que tenho o direito de me orgulhar, a origem de tudo; da minha felicidade e do meu infortúnio. O que eu sei qualquer pode saber; mas o meu coração, é só meu.”

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Caché

Indicado por um amigo, assisti ontem Caché (2005) de Michael Haneke. O filme tem sequências lentas, mas com uma habilidade que nos faz compreender a razão. Desde o início somos levados a dúvidas sobre o tempo em que as cenas ocorrem, bem como sua veracidade explícita. Por detrás da discussão a cerca da dicotomia: essência e aparência, Haneke nos envolve em questões sobre a vida dos imigrantes em França e as instáveis relações familiares das últimas décadas.



domingo, 8 de agosto de 2010

Formas de amar

Ontem, cansado… me sentindo mal… Apenas ligar a tv em qualquer canal era um regozijo, aliás merecido por semana tão estressante e com tanto trabalho. Num dos canais passava Romeu e Julieta, não vi o início, nem o fim, apenas parte do meio. Não pude deixar de contrastar a leitura que Shakespeare faz do amor com um artigo que li ontem mesmo no Le Monde Diplomatique. Romeu e Julieta em seu primeiro encontro fazem juras de amor eterno, e nos faz sufocar só a idéia de que ficarão separados de alguma forma. O artigo falava de patriarcado, violência de gênero, mas também sobre uma dependência construída socialmente durante séculos de que a única forma de amar é o da dependência, da idealização e de se completar no outro.

Combater essas premissas é trabalho fácil. Difícil é conseguir nos desvencilhar de pensamentos, idéias, razões, entendimentos que não são nossos. Difícil é aceitar como o meio nos define, nos modela.

Querer, não querer, saber porque querer, não saber, imitar, sofrer acabam por ser relativizados também. Amor, formas de amar, é apenas um exemplo de que pensar com nossas cabeças é mais árduo do que se parece.

sábado, 7 de agosto de 2010

It´s a Free World

As atuações, nem a direção são brilhantes em It´s a Free World (2007), mas vale a pena pelo roteiro de Paul Laverty. Ken Loach, que possui melhores trabalhos como The Wind That Shakes the Barley (2006), toca em assuntos delicados na Inglaterra, como o paradoxo das leis trabalhistas, democracia, cidadania relacionando-se com imigração e trabalho informal.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Cássio

Em visita ao bairro 16 de Junho no município do Lobito (Benguela – Angola) deparei-me com um rapazinho, Cássio seu nome, se bem o entendi. Mais claro fora seus olhos voltados para mim por ter nas mãos uma máquina fotográfica. Não se fez de rogado, pediu pra ver a máquina, ser o modelo de algumas fotos. Seu pai veio de supetão e antes mesmo de nos cumprimentarmos disse-me cordialmente: “O Cássio é apaixonado por fotografias…”.

As adversidades enfrentadas por ele no dia-a-dia não são bem percebidas pela pouca idade que tem. Teve sua casa destruída para dar espaço a construção do Banco Nacional de Angola, e sem apoio governamental passou mais da metade de sua vida morando sob uma tenda.

Enquanto seus pais lutam por uma vida mais digna e um futuro melhor para ele, Cássio distrai-se entre tendas, moradores e alguns visitantes. As dificuldades dão espaço a um sonho de criança: ser fotógrafo ou modelo. Talvez suas aspirações mudem com o passar dos anos, o que não pode mudar é seu direito em crescer sob uma casa, com mínimas condições de segurança e saúde.

Muitos são os “Cássios” espalhados por Angola e por todo o mundo. Políticas habitacionais que não os excluam são o primeiro passo para garantir que a fotografia não seja apenas um sonho inócuo.

+ Duas das fotos que tirei no dia 29 de Julho de 2010 das tendas que servem de moradia para cerca de 250 pessoas no bairro 16 de Junho.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Sexo por Compasíon

O pecado pode ser visto por vários prismas. Cada um possui princípios e valores próprios e convenientes. Sexo por compaixão (1999) mergulha em uma linha tênue que distancia a luxúria da bondade. A parceria Espanha/México marca a estréia de Laura Maña na direção e roteiro.



quinta-feira, 22 de julho de 2010

"NÃO PARTAM A MINHA CASA" - Conferência Contra as Demolições e Desalojamentos Forçados - Benguela, Angola - 29 a 31 de Julho de 2010


O direito à habitação, como ressaltam vários instrumentos internacionais, não se restringe apenas à presença de um abrigo, ou um teto, mas engloba uma concepção mais ampla. Este direito se estende a todos e, assim, toda a sociedade e cada um de seus membros têm de ter acesso a uma habitação provida de infra-estrutura básica e outras facilidades, ou seja, acesso a uma habitação adequada.

Embora se reafirme a importância do total respeito ao direito à habitação adequada, observa-se, em grande parte das nações, uma grande indiferença em relação a esse direito. As Nações Unidas estimam que mais de um bilhão de pessoas vivem em habitações inadequadas e mais de cem milhões não possuem moradia, em todo o mundo.

Vários movimentos da sociedade civil em Angola, tais como Declaração de Benguela de 20 de Agosto de 2009, III Conferência Nacional da Sociedade Civil de Novembro de 2009, as Marchas pretendidas pela Associação OMUNGA, a Rede de Solidariedade contra as Demolições no Lubango, têm condenado a forma brutal como as autoridades do país levam a cabo o desalojamento de pessoas, que alegadamente ocupam zonas consideradas reservas do Estado.

Para dar uma ideia da gravidade da situação, de 26-31 de Julho de 2009, no espaço de apenas uma semana, o Governo Provincial de Luanda demoliu cerca de 3000 casas nos bairros Iraque e Bagdade, no município do Kilamba Kiaxi, por ocupação anárquica e ilegal dos terrenos, deixando ao relento cerca de 15 mil pessoas.

Um caso análogo ao acima exposto ocorreu em Março de 2010, em que no espaço de duas semanas cerca de 2.500 famílias ficaram desalojadas em decorrência da avassaladora onda de demolições de residências na cidade do Lubango. As referidas demolições foram levadas a cabo pelo Governo da Província da Huíla em conformidade com o denominado plano de Operação de Combate e Demolições de Casebres e Construções Anárquicas.

A resolução 37/09 de 03 de Setembro da Assembleia Nacional orienta a criação de condições mínimas e aceitáveis para o realojamento de cidadãos afectados e com o diálogo e envolvimento dos mesmos nas condições de alojamento; aos 04 de Abril de 2010, em alusão ao Dia da Paz; o Ministro da Administração do Território, Bornito de Sousa em representação do Presidente da Republica pediu desculpas vitimas das demolições no Lubango; o Governo aceitou as recomendações 130 a 139 no quadro 7º sessão do conselho de direitos humanos no mecanismo de revisão periódica universal (RPU). Todos estes sinais surgem em resposta às manifestações da sociedade civil angolana mas ainda não são suficientes para garantir o fim desta onda de demolições e desalojamentos forçados levados a cabo pelo Governo, por não haver um quadro jurídico concreto que assegure esta situação e os interesses económicos individuais ainda sobrepõem-se aos interesses públicos e colectivos.
Fonte: http://quintasdedebate.blogspot.com/2010/07/participa-e-divulga-nao-partam-minha.html

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Melinda and Melinda

Em um restaurante nova-iorquino, quatro amigos bebem e conversam, dentre eles dois escritores. Enquanto um volta-se à tragédia na tentativa de representação do cotidiano, o outro encontra nos elementos cômicos mais proximidade e afinidade. A partir daí O filme Melinda e Melinda (2004) desenrola-se. A história das duas Melindas, a trágica e a cômica, desenvolve-se com o humor e a filosofia típicos de Woddy Allen.


segunda-feira, 5 de julho de 2010

Indio para vice!

Muitas especulações marcaram as idas e vindas de possíveis nomes para a candidatura para vice-presidente da Coligação PSDB/DEM. Informações vazadas inclusive por um parceiro de Serra para as próximas eleições, o muito conhecido presidente do PTB Roberto Jefferson, fizeram criar um clima de animosidade entre os aliados. O antigo PFL não quis abrir mão desta vez de pleitear o cargo de vice-presidente e sem um nome de muito peso nos grandes colégios eleitorais brasileiros acabou por indicar o deputado Indio da Costa. Desconhecido até mesmo pelo próprio companheiro de chapa, o jovem deputado sustenta algumas ideias polêmicas, como a pena de morte para narcotraficantes e a proibição da venda de algumas guloseimas nas cantinas das escolas.

Por uma falta óbvia de constitucionalidade, um dos seus projectos acabou “arquivado”. Indio era a favor que se multasse a quem desse esmolas a pedintes nas ruas do Rio de Janeiro. Talvez por falta de muitas habilidades em conduzir políticas internacionais, foi contra a ajuda dada pelo Brasil ao Haiti – ainda antes do grande terremoto, e indo ao encontro de um projeto de Serra em São Paulo que mandou retirar os bancos dos pontos de ônibus que pudessem servir de cama a mendigos, quis proibir no RJ o comércio ambulante, talvez com a mesma intenção do psdbista: esconder as desigualdades e problemas sociais dos olhos de turistas, mídia e dos brasileiros mais abastados.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Luanda

Por aqui as ruas estão sempre cheias. São muitos carros, aliás muitos de luxo que contrastam com a miséria por detrás de seus vidros, um trânsito inacreditável. O tráfego de pessoas também é intenso, sejam transeuntes, sejam vendedores. Vendem de tudo: balanças, frutas, panelas, dólares ou kwanzas, roupas, sapatos, cintos, telefones etc. Arriscam-se entre tantos carros e motos, normalmente com motociclistas sem capacetes. As calçadas muitas vezes são pedras sobre pedras, as crianças vêm logo pedir 5 ou 10 kwanzas, cerca de 5 ou 10 cents. É difícil imaginar o que fariam com esse dinheiro num país imenso com solo e clima propícios que entretanto não produz muitos alimentos, e têm nas prateleiras dos supermercados meia dúzia de ovos que quase chega a 3 dólares. As ruas não são muito limpas, o serviço de coleta de lixo não é dos melhores e muitos não possuem sistema de esgoto ou uma fossa em casa.

Inacreditável é pensar que dentro de tantas adversidades encontra-se lugar para um sempre sorriso estampado nos rostos. Sempre solícitos e prestativos, no entanto calados diante de seus problemas. Talvez seja um grande trauma por um período tão grande de guerra. Não cultua-se por aqui o simples ato democrático de contestar e exigir mais dignidade.

As novas gerações dirão como tudo passará nos próximos anos, aliás o país é delas já que por aqui não se vive mais do que 40 anos em média. Resta saber como tudo acontecerá, se os motoristas dos luxuosos carros abaixarão seus vidros elétricos ou se será necessário que os pedestres os quebrem.