sábado, 20 de outubro de 2007

DocLisboa 2007

Começou na última quinta-feira (18/10/07) o 5º Festival Internacional de Cinema Documental de Lisboa. O evento que se estende até o dia 28 conta com oito secções, dentre elas a Competição Nacional e Internacional. Serão apresentados 145 filmes, dentre eles o Grande Prêmio Cinema du Réel 2007: "Santiago", do brasileiro João Moreira Salles.


Michael Moore polemiza novamente com "Sicko" onde denuncia as debilidades do sistema de saúde americano. Mas Rick Caine e Debbie Melnyk com "Manufacturing Dissent" tentam desmistificar os trabalhos de Moore, onde procuram compreender os processos de trabalho de um autor que se mostra tão fugidio como as personagens de seus filmes.


O Festival este ano se destaca por denunciar formas de opressão e exploração do homem com o homem. Política, consumismo, desigualdades sociais, abandono, hipocrisia são temas recorrentes nos filmes apresentados. Dentre eles se destacam: o estadunidense, que abriu o Festival, "Taxi to the Dark Side" de Alex Gigney, onde denuncia a legalização da tortura das "técnicas de interrogação de suspeitos" pelos militares dos EUA,; e o dinamarquês "Enemies of Happiness" onde Eva Mulvad e Anja Al-Erhayem mostram as dificuldades de uma mulher em defender suas idéias políticas no Afeganistão.


Se destacam ainda os franceses "Elle s'appelle Sabine" e "5-7 rue Corbeau"; o australiano "SchoolScapes"; o russo "Rebellion: The Litvinenko case"; o israelense "Hot House"; o português "Metamorfoses"; o egípcio "These Girls"; o estadunidense "The Devil Came on Horseback"; e a co-produção França/Reino Unido: "Cuba, Une Odyssée Africaine.

sábado, 25 de agosto de 2007

Orlando


Pode-se dizer que esta é uma obra conjunta de Virgínia Woolf, a escritora, e Cecília Meireles, a tradutora. Uma biografia que poderia ser minha ou sua, de um brasileiro ou um britânico, de um miserável ou um abastado, em qualquer tempo. Uma leitura que nos propõe questionar a consciência, os medos e a hipocrisia humana.

“Nenhuma paixão é mais forte, no peito humano, que o desejo de impor aos demais a própria crença.”

“... era homem; era mulher; conhecia os segredos, compartilhava as fraquezas de cada um ... Não é para admirar que confrontasse os sexos entre si, e alternativamente achasse cada um repleto das mais deploráveis misérias e não soubesse, com segurança, a qual pertencia.”

“E apesar disso mantém uma fé para a qual os bens são vaidades e a morte desejável.”

“- És mulher, Shel – disse ela.
- És homem, Orlando – disse ele.”

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Cidadãos do Mundo

O cotidiano, o nosso dia-a-dia, muitas vezes por sua correria, nos impede de refletirmos sobre determinados assuntos, principalmente aqueles chamados “polêmicos”. Fechamos- nos, por puro egoísmo, a discussão de fatos importantes ao desenvolvimento social. São necessários muitos debates, discussões, mesas redondas, ou simples conversas tomando uma cerveja num boteco, para deslancharmos idéias e ideais. A troca de experiências faz enriquecer e aperfeiçoar o que queremos e pensamos para que possamos reivindicar e questionar nosso sistema político e econômico.

Quando se fala sobre o sistema capitalista, percebo que parece ser um caminho inevitável. Muitos simplesmente contrapõem o Capitalismo e o Socialismo, ou são radicais ao ponto de propor a derrubada do atual sistema sem propor outro que seja justo e igualitário, e que possa ser implementado sem preconceitos e totalitarismo.

É necessário que se pense em alternativas viáveis capazes de amenizar o sofrimento e a fome de grande parte da população brasileira e mundial, e se será necessária uma revolução, ou as mudanças aconteceriam gradualmente? Uma revolução pode ser mal vista pelas mudanças radicais e inesperadas, mas será que conseguiríamos transformar o que há hoje com mudanças graduais? Será que esta forma não seria apenas uma maneira dos poderosos de hoje se perpetuarem no poder e manter o abismo entre ricos e pobres?

Em qual proporção melhoramos nosso mundo racionando água, utilizando meios de energia renováveis, se o Mundo (digo as Nações e as Organizações Internacionais) não pressionarem e obrigarem o maior vilão da poluição mundial, os EUA, em pararem sua devastação do ar, do solo, da água etc.

É necessário que sejamos capazes de distribuir melhor os lucros das empresas multinacionais, que se instalam pelo mundo utilizando as melhores e mais baratas matérias-primas e as piores remunerações de mão-de-obra possíveis, não garantindo a estas pessoas a mesma dignidade que os cidadãos de seus países recebem.

É possível nos tornarmos cidadãos do mundo, lutando pela igualdade étnica, racial, sexual, de gênero, entre pessoas de todos os países, tolerando nossas diferenças mentais, físicas, religiosas, políticas, de idade, de idéias e pensamento.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Memórias

Ela tem menos de 18 anos.
O fogo entre as pernas é típico da idade.
Sai, volta tarde. Não tem o que falar.
Tapa na cara.
Chora.
Sua mãe pede: “não bate na menina, não”.

Amigos conversando. Dois nem tanto.
Nem tanto amigos, nem tanto conversando.
Digo que gosto. Ele grita.
Um tenta falar. Não consegue. Tenta de novo.
Ela não lê livros. Não gosta. Ele grita.
Afinidade se conquista, mas também é natural.
Todos bebemos, aí somos iguais. Mas ela não bebe.

Tínhamos oito anos. Descobrindo o sexo.
Já não se descobre o sexo como antigamente.
Cruzamos pela rua uns dez anos depois.
Cumprimentamos-nos. Ninguém para.

Grávida. Marginalizada. Maltrapilha.
Passa pela porta giratória. Atravessa.
Para em minha frente, me interrompe. Pede 10 “real”.
Digo que não tenho. Tinha no mínimo 50, pra ela pagar 150.
Não sei como. Talvez vendendo seu corpo, vendendo seu filho que ainda não nasceu. Roubando.
O banqueiro é humano, não empresta os 50 reais.
Ela não precisa se vender.

Festa na casa de um desconhecido.
Ônibus cheio. Mais de uma hora.
Chegamos.
Pego uma faca. Acerto em cheio o gelo. Outras facadas.
Latinhas de cerveja sob o gelo. Furo uma.
Vejo pela primeira vez seu sorriso.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Revistas

Em uma Nação em que a corrupção se torna corriqueira, que acaba sendo banalizada e transformada em algo normal e inevitável, se torna relevante destacar o papel de algumas revistas capazes de expor fatos e acontecimentos sem se vender, mesmo que suas ideologias sejam expostas. Elas vão de encontro à atual escassez de conteúdo que acrescente algo de útil aos leitores nos aspectos: cultural, político e filosófico.






segunda-feira, 16 de julho de 2007

E o Pan, vale a pena?

O esporte é uma das maneiras mais eficientes na inclusão social dos marginalizados. Ele traz a esperança e transforma a vida dos esportistas, de suas famílias e comunidades. O esporte é muito mais que lazer e saúde, ele é uma das formas mais eficazes de transformar uma sociedade, disputando ferozmente a vida de meninos e meninas, homens e mulheres, com o crime organizado, o tráfico de drogas, a prostituição...

O Pan do Brasil seria uma forma de impulsionar esse processo, mas o que se vê são: troca de favores; desperdício; interesse em projeção internacional etc.

O primeiro medalhista dourado do Brasil neste Pan, o lutador Diogo Silva desabafou na coletiva de imprensa. A Confederação Brasileira de Taekwondo paga a ele 600 reais por mês, normalmente com três meses de atraso. Na véspera do Pan, os pagamentos ficaram em dia.Enquanto isso os gastos do Governo chegam a quase 3 bilhões de reais, uma cifra assustadora em um país que atrasa 600 reais a um dos principais atletas de sua modalidade.

A candidatura brasileira para sediar o Pan venceu a estadunidense com um plano que não foi cumprido. A despoluição da lagoa Rodrigo de Freitas e da baia de Guanabara, bem como uma nova linha de metrô ligando o centro ao Engenhão não foram realizados. Os gastos públicos que seriam em torno de 700 milhões, foram ascendendo cada vez mais, já que a iniciativa privada não cumpriu sua parte. A imagem do país que pretende sediar a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 não pode ficar desgastada, e o Governo bancou.

E a mídia nacional não noticia, principalmente a televisão aberta. As emissoras compram os direitos dos jogos e preferem ignorar os relatórios do Tribunal de Contas da União indicando estouro de orçamento e atraso em obras.

Ignoram também os escândalos envolvendo troca de favores e licitações. O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro é Carlos Arthur Nuzman. A figurinista da equipe olímpica brasileira é Mônica Conceição, sua cunhada. A agência de turismo que presta serviços ao COB é de Cristina Lowndes, amiga de Nuzman, que venceu uma licitação bastante contestada.

Marcus Vinicius Freire, diretor do COB, representa no Brasil a AON Seguros, que faz o seguro das delegações do próprio COB. Sócio de Alexandre Accioly, que ganhou o direito de comercialização dos bilhetes do Pan.

O que provavelmente a imprensa preferirá mostrar é o provável recorde de medalhas brasileiras, em esportes pouco tradicionais, já que países como os EUA, Canadá e até a Argentina mandarão segundas ou terceiras equipes em várias modalidades.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Max Weber: Política e Religião

Max Weber (1864-1920), o grande sistematizador da Sociologia na Alemanha, nasceu em um período em que seu país ingressava tardiamente no desenvolvimento industrial europeu. A falta de uma unidade política estruturada fez com que o desenvolvimento do pensamento burguês na Alemanha sofresse grande influência de outras correntes filosóficas, bem como da Antropologia e da História. O contato com a diversidade cultural fez com que fosse valorizado o estudo da “diferença”, e a herança puritana determinou o esforço interpretativo.

Weber propunha o método compreensivo, onde o cientista através da pesquisa histórica daria aos fatos esparsos um sentido social e histórico. Ao mesmo tempo em que se respeitavam as particularidades de cada sociedade ressaltavam-se os elementos mais gerais de cada fase do processo.

Uma leitura essencial do teórico é sua obra: “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”. Segundo o autor, a religião e a sociedade se interligam não por meios institucionais, mas através de valores introduzidos nos homens, motivando-os a agir socialmente. No caso do protestantismo a motivação seria o trabalho.

Weber mostra como o protestantismo se relaciona na formação do comportamento capitalista. Percebendo, através de seus estudos o grande número de protestantes que eram bem sucedidos no trabalho e mão-de-obra qualificada. Estabelece então, relações entre os valores da doutrina como a poupança, a disciplina ascética, o dever e a vocação ao trabalho entre outras, com as implicações no comportamento dos indivíduos e o desenvolvimento capitalista.

Os filhos das famílias protestantes eram educados voltados às atividades mais lucrativas. Constituía-se uma nova mentalidade, oposta a contemplação e a renúncia.

Podemos dizer que depois de seus estudos passou-se a valorizar a pesquisa histórica para se compreender as sociedades, dando-se atenção ao papel da subjetividade.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

sexta-feira, 22 de junho de 2007

O país da prosperidade e das gozadas


O mundo nos inveja. O momento não é dos países ricos, muito menos dos emergentes asiáticos. O Brasil nos últimos meses vem sendo alvo de espionagem por conta de sua prosperidade repentina. Repórteres de todo o mundo correm atrás de suas manchetes. Dentre os alvos estão, preferencialmente, os políticos que se dizem responsáveis sozinhos pelas façanhas nacionais.

A Sociedade Civil Organizada, sindicatos, ONGs e controladores de vôo protestam. Dizem que também tem sua cota de participação. Até as Igrejas não aceitam serem esquecidas.

Agora é necessário calma e coerência, a final de contas em um país tão próspero e igualitário, é preciso que Ministros do Governo não entrem em contradição. O Ministro da Fazenda Guido Mantega pede tranqüilidade ao povo brasileiro. Ele acredita que o “boom” nacional que gera esta inédita distribuição de renda, pode produzir nos aeroportos brasileiros um congestionamento humano.

Enquanto isso a Sexóloga e também Ministra do Turismo (não o sexual) Marta Suplicy festeja a glória de uma nação justa e soberana. Ela crê que em um país tão desprovido de misérias e corrupção, não haveria problema em enfrentar transtornos ao viajar. Relaxa e Goza!!!